Dia do Trabalho, 1º de maio, é dia de receber diploma para um grupo de 13 mães do Dançando Para Não Dançar. Elas concluíram o ensino fundamental e o médio, além de cursos profissionalizantes, com apoio do projeto. A festa começa às 09:00 h, na Vila Olímpica da Mangueira, com direito a café da manhã e espetáculo de balé.
Ronaldo Martins e Raquel Silva, bailarinos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, juntam-se à Cia. Dançando Para Não Dançar na apresentação do balé Paquita, em homenagem às mães formandas. Um palco será montado em frente à sala do Dançando, dentro da Vila Olímpica.
As mães que completaram o curso de confeitaria criaram uma cooperativa, o Buffet em Família, que se encarregará do café da manhã e de atender pessoalmente os convidados. Elas completaram ainda cursos de telemarketing informatizado, técnicas de telemarketing, ascensorista, camareira, auxiliar de cabeleireiro e o curso de bolo-arte (criação e preparação de bolos para festas). O café é uma forma de integrar familiares das 11 comunidades atendidas.
A iniciativa faz parte do projeto Dançando em Família, que completa um ano em maio, com patrocínio da Petrobras Distribuidora e o apoio do Instituto Desiderata. O Dançando em Família é o braço direito do projeto Dançando para não Dançar, que atua há dez anos nos morros cariocas ensinando balé clássico e abrindo perspectiva profissional para crianças e jovens.
Desde 1997, a Petrobras Distribuidora custeia todo o projeto. Graças a esse patrocínio, são atendidas, hoje, 450 crianças de 11 comunidades (Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Rocinha, Mangueira, Chapéu Mangueira, Babilônia, Morro dos Macacos, Tuiuti, Jacarezinho, Salgueiro e Dona Marta). O apoio é estendido aos familiares dos alunos.
Dançando em Família – O projeto foi criado com a perspectiva de prestar apoio às famílias mais necessitadas dos 450 dos alunos do Dançando para não Dançar. Pesquisa realizada pelo projeto nas comunidades detectou, nos morros da Mangueira e do Salgueiro, as famílias que precisavam de apoio concentrado. Foi lá que o Dançando em Família iniciou as atividades, com 14 famílias.
O objetivo é oferecer assistência social, psicológica e material, além de orientação para formação profissional e geração de renda destinada às famílias de alunos do Dançando para não Dançar consideradas em situação de risco e de extrema carência. Também serão atendidos cerca de 30 alunos que vivem nessas famílias, as quais, juntas, somam cerca cem pessoas.
Os critérios para escolha das famílias foram a renda per capita; as condições de habitação; a incidência de doenças infecto-contagiosas, a desnutrição e o fato de não serem assistidas por projeto social de natureza semelhante.
Descobrindo talentos – Além da alegria de abrir perspectiva de trabalho para membros das famílias, o Dançando para não Dançar anunciará, durante a festa, que mais uma aluna dará importante passo na concretização de uma carreira profissional. Márcia Freire, 20 anos, irá para o Balé Stagium, em São Paulo, a convite da diretora da companhia, Marika Gidali.
A bailarina, moradora do Morro do Cantagalo, entrou no projeto com 12 anos. Em 1996, foi inscrita em audição pública na Escola de Dança Maria Olenowa, do Teatro Municipal. Márcia foi aprovada. Em 1997, participou do primeiro intercâmbio fechado pelo projeto com a Staatliche Ballettschule Berlin, de 15 dias na Alemanha. Em seguida, fez estágio no Balé Nacional de Cuba, em 2002 (sete meses) e em 2004 (quatro meses). Após disputadíssima audição, foi contratada pela Ópera Brasil, companhia do renomado bailarino Fernando Bicudo, para uma turnê com o espetáculo Terra Brasis.
Márcia torna-se, assim, a primeira bailarina profissional formada pelo Dançando para não Dançar. Hoje, ela dá aulas no projeto e coordena o Dançando na Cultura, que por meio de parcerias leva jovens e seus familiares a espetáculos de dança, peças teatrais, cinemas e museus.
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