
Foto: Erenaldo Carneiro – FCC/UFRJ
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A apresentação do balé Paquita, de Marius Petipa e direção de Thereza Aguilar, aconteceu às 11h30 e conseguiu superar a ansiedade dos produtores culturais do Forum ao lotar as cadeiras do Salão Dourado com estudantes, funcionários da universidade e público externo. Por causa da greve dos trabalhadores em educação, os organizadores do projeto Cultura Popular do Forum de Ciência e Cultura da UFRJ temiam pela apresentação, chegando, inclusive a propor o cancelamento ou adiamento da peça. Vencido o medo, a apresentação foi um sucesso.
Dançando Para Não Dançar é um projeto social que atua há dez anos no Rio de Janeiro e já atende a 11 comunidades, com aulas de balé para crianças e adolescentes. O critério de escolha é a habilidade para a dança e que a criança esteja regulamente matriculada e freqüentando aulas nas escolas de ensino formal. A partir do momento que elas entram no balé passam a ter acompanhamento sistemático com assistentes sociais, médicos, dentistas, psicólogos e nutricionistas. Esse atendimento é extensivo às famílias que, desde o ano passado começaram a receber apoio para voltar à sala de aula, concluir o ensino fundamental e médio e, ainda, ter a chance de ingressar no mercado de trabalho.
A idealizadora e coordenadora do projeto é a bailarina Thereza Aguilar, que trouxe a idéia de Cuba, após três anos de estudos naquele país. Ela conta que começou a dar aula sozinha para um grupo de 45 crianças da favela do Cantagalo. Aos poucos, foi conseguindo apoios e patrocínios e hoje, tem uma equipe de profissionais qualificados. Ela informa, ainda, que desde 1995 vem colocando crianças na escola de Dança Maria Olenewa, do Teatro Municipal, cuja seleção é bastante rigorosa. Thereza se emociona a cada nova conquista, como por exemplo, ver alunos do projeto serem escolhidos para aperfeiçoamento na mais tradicional escola de dança da Alemanha, a Staatliche Ballettschule de Berlin. Até o final do ano, duas jovens viajam para aquele país.
Bárbara Melo, aluna do projeto, é uma das alunas que conseguiu mudar a própria história. Moradora do Cantagalo, concluiu o curso de balé na Alemanha e hoje é primeira bailariana da Cia. Volkstheater, Rostock, na Alemanha. Mas, segundo Thereza, o objetivo principal do projeto não é formar profissionais da dança, mas sim formar cidadãos, conscientes e capazes de interagir no mundo da vida de forma digna. As comunidades atendidas são Rocinha, Cantagalo, Pavão/Pavãozinho, Mangueira, Chapéu Mangueira, Babilônia, Salgueiro, Santa Marta, Jacarezinho, Tuiuti, e Vila Isabel. Ao todo, são 450 alunos que optaram pela arte e ajudam a construir uma nova cara para as favelas do Rio.
Jornalista: Zilda Martins – Assessoria de Imprensa da UFRJ
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